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"Expoflora é vitrine para o lançamento de novas variedades de rosas"


Pelo menos 15 novas variedades de rosas que ainda não chegaram ao mercado e nas floriculturas, incluindo as de cores exóticas, como verde e lilás, estão sendo exibidas pelos produtores de Holambra na 25ª Expoflora – a maior exposição de flores da América Latina – que acontece até o dia 24 de setembro no município, de quinta-feira a domingo, das 9h às 19h.

Para os produtores, a Expoflora não é apenas uma vitrine, mas um importante mercado-teste para verificar a aceitação do público consumidor pelas novas variedades. Nos 16 das de evento, a Expoflora estima receber 300 mil visitantes. Apenas a empresa Rosas Flamingo está lançando 11 novas variedades e já programa para 2007 a apresentação de mais sete novidades.

De acordo com os produtores de Holambra, a Lei de Proteção de Cultivares que normatiza as patentes do setor é a responsável pelos investimentos realizados no desenvolvimento de novas variedades, pois não apenas evita as importações clandestinas de mudas, como garante melhor preço do produto final no mercado, compensando os custos com o pagamento de royalties (pagamento efetuado ao dono da variedade para a autorização da produção da nova variedade). Os produtores esperam lançar, a partir do próximo ano, até 20 variedades de rosas diferentes a cada edição da Expoflora.

Rosas verde e lilás

Entre as novidades que compõem os arranjos da exposição de flores estão as rosas verde e lilás. A rosa Amandine, de cor verde, é resultado de uma experiência iniciada há um ano e meio, quando Rob Van Rooyen adquiriu a variedade na Holanda e iniciou o plantio em uma área de dois mil metros quadrados em seu sítio em Andradas (MG), região de clima propício para o plantio de rosas. Com 8 mil mudas da nova variedade ele obteve uma produção de 10 mil dúzias.

O produto está chegando, aos poucos, ao estado de São Paulo e sul do país, principalmente para o atendimento de decoradores e paisagistas. Como a reação do mercado tem sido positiva, Van Rooyen estará ampliando a área plantada com mais 15 mil mudas para que, até dezembro, a nova variedade possa chegar às floriculturas. Em março de 2007, a produção deverá ser de 25 mil mudas que representarão uma colheita de 50 mil dúzias de rosas para o abastecimento do mercado consumidor.

Os números também valem para a rosa Avant Garde, de cor lilás, que deverá atingir a mesma produtividade – 50 mil dúzias – a partir do próximo ano. Um de seus diferenciais é a abertura das pétalas, que acontece de forma estrelada. Outras variedades como Amsterdã, em tom rosa, e Milano, na cor pink, também estão sendo lançadas na Expoflora pelo produtor. Cada haste deverá chegar ao mercado com o preço médio de R$ 2,00.

Cores mescladas

A mistura de cores nas rosas também tem chamado a atenção dos visitantes da Expoflora. Miguel Esperança é outro produtor que apresenta variedades que atraem os olhares do consumidor, como a rosa Tabasco, mistura de vermelho com um leve tom de amarelo; New Fashion com pétala vermelha do lado interno e cor chá no lado externo; Milva com tons degradê de laranja e Aubade na cor chá com uma linha suave em tom rosa na borda das pétalas.

As novas rosas são resultantes do cruzamento de duas variedades, feito por meio de polinização, em ambiente de estufa. Os produtores importam as mudas de países como Colômbia e Holanda, fazem uma seleção daquelas que apresentam os melhores resultados e multiplicam o plantio. O produtor Adriano Van Rooyen explica que os melhoristas (profissionais especializados na seleção de mudas) vêem da Europa para fazer os testes em campo. “Se a muda vai bem investimos na produção”, afirma.

O período de avaliação para o desenvolvimento da muda e início da produção é de um ano. Segundo o produtor Rob Van Rooyen, a produtividade, o tamanho da haste e do botão e a durabilidade são os fatores determinantes para o investimento em uma nova variedade. As rosas das cores verde e lilás passaram por todos os testes, principalmente de durabilidade. As novas rosas duram de 12 a 14 dias contra 7 e 8 dias das mais antigas.

Investimentos

O pagamento da licença, apesar de aumentar o custo no setor produtivo, também serviu de incentivo aos produtores brasileiros para a exportação e a obtenção de melhores preços no mercado interno. A Lei Brasileira de Proteção de Cultivares (n° 9456), editada em 1997, estabelece que, para fins de reprodução, o produtor deverá ter licença do titular a ser obtida mediante acordo. Por ocasião da compra da muda de cultivar protegida para o primeiro plantio em escala comercial o agricultor estará pagando os royalties referente a proteção no preço final do produto.

As regras previstas na legislação obrigaram a uma mudança de comportamento do produtor. Rob explica que, antes, os produtores traziam clandestinamente as mudas de mercados como a Colômbia e a Holanda e iniciavam os testes de campo. No entanto, sem a licença, os produtores eram impedidos de exportar seus produtos. “Se, por um lado é necessário o pagamento dos royaltes, de outro, a compensação vem pela limitação para a reprodução das mudas em larga escala. Devido a produção menor, o preço no mercado interno torna-se melhor”, explica o produtor.

Mercado de flores

O mercado de flores movimenta US$ 64 bilhões por ano mundialmente. No Brasil, o movimento é de R$ 2,5 bilhões por ano. O consumo per capita no Brasil é de R$ 12,00 por ano no país e apenas as rosas representam 30% das vendas das flores de corte. De acordo com informações da Câmara Setorial Federal de Flores e Plantas de Corte, o Estado de São Paulo detém 70% da área do cultivo e 50% do consumo nacional.

Alterações na lei

A ABPCflor – Associação Brasileira de Proteção de Cultivares de Flores e Plantas Ornamentais vem lutando para melhorar a Lei de Proteção de Cultivares por acreditar que a inovação é imprescindível para o setor de plantas ornamentais. Entre as melhorias propostas para a Lei estão a limitação da produção para o uso próprio sem pagamento de royalties e o aumento do período de proteção de 15 para 20 anos no caso das plantas e de 18 para 25 anos no caso das árvores. Após esses prazos as variedades passam a ser de domínio público.

De acordo com a presidente da ABCPflor, Silvia Van Rooijen a limitação do uso próprio é necessária para evitar que grande produtores se utilizem de um benefício pensado apenas para a agricultura familiar (até quatro hectares, trabalho realizado em família etc) para as grandes culturas como algodão e soja. No caso das plantas ornamentais a proposta da ABCPflor é de exclusão desse benefício para todo o setor. Hoje a Lei não estabelece a categoria do produtor obrigado ao pagamento

Quanto ao aumento do prazo de proteção, Silvia esclarece que ele é demasiado curto para o incentivo dos investimentos pelos melhoristas para o desenvolvimento de novas variedades. “Somente para o lançamento comercial de uma nova variedade são necessários de cinco a seis anos, o que reduz o tempo para a recuperação do capital investido”, esclarece Silvia.

Na opinião de Silvia Van Rooijen, a propriedade intelectual no caso das flores e plantas ornamentais é um importante instrumento de promoção do desenvolvimento do setor, principalmente pela possibilidade de recuperação do capital investido. Além disso, o titular dos direitos de propriedade intelectual passa a ser reconhecido legalmente, o setor produtivo terá variedades melhoradas, com capacidades maiores de produtividade ou resistência a doenças e a grande beneficiada pelas inovações acaba sendo a própria sociedade.

Outra vantagem dessa inovação, segundo Silvia, é o estímulo do mercado com a criação de demandas por novos produtos e a possibilidade de sua adequação à oferta para permitir o equilíbrio de preços para o setor. Entre os países que já obtiveram resultados econômicos positivos com leis de proteção de cultivares estão a Argentina, a China, a Polônia, e a República da Coréia, segundo estudo da UPOV – União Internacional para Proteção de Novas Variedades de Plantas

“No Brasil, a adesão ao sistema de proteção de cultivares já provocou um incremento dos pedidos de proteção, porém esse número ficou aquém do desenvolvimento potencial do setor. Desde a implantação do sistema de proteção de cultivares no país (1997) foram protegidas 835 variedades, sendo que apenas 9% desse total referem-se a plantas ornamentais (82 variedades) de apenas 8 espécies botânicas, muito aquém do que se poderia esperar para o setor. Defendemos a propriedade intelectual no setor de plantas ornamentais porque a floricultura brasileira apresenta grande potencial de crescimento, porém depende de inovação. A propriedade intelectual é a ferramenta estratégica que precisa ser aperfeiçoada para promover esse desenvolvimento”, explica a presidente da ABPCFlor, Silvia Van Rooijen.


Fonte Assessoria de Imprensa